Sempre escreveste ontem?
Não. Não escrevi e não escrevo
Ontem, hoje e amanhã
Escrevo agora, só agora. Já.
Agora, porque só agora
Este papel aceita a escrita.
Escrevo por mim, para ti
Apenas para ti
Que és alguém e és Ninguém
És tudo és nada
És o que não fui, o que não sou
És tu e apenas para ti
Escrevo.
És tu apenas tu, que lês
Qualquer poema aqui escrito
Não o repito.
As palavras não se repetem
Neste espaço vazio
De ideias e sensações
Medos e corações
Partidos e chegados
Mais longe e mais perto
Num acordeão de melodias
Que tocam baixinho.
Mas que merda
Este vento forte
Que me leva as idéias
As palavras, as sensações
Que me leva tudo, me leva nada
Sempre escreveste ontem?
Não foi ontem que escrevi
As palavras que ouviste
Da boca da beleza
Na voz da certeza
Que são tuas
São minhas
Que tomo por empréstimo
Sem juros
Sem muros
Sem fonteiras nem barreiras
Apenas para te escrever
Por mim e para ti
Apenas para ti
Sempre escreveste ontem?
Não. Não escrevi ontem
Só pensei
Nas palavras, nos sons
Nas sensações e nos medos
E naqueles sentimentos
Não escrevi, pensei
Como posso escrever poema
Se poema não sei escrever?
Não escrevi, senti O coração tremer
Por te perder
Na noite do dia em que não escrevi
Não escrevi e senti
O teu olhar doce
Aí esse teu doce olhar!!!
Que me solta e me prende
Me beija e me suspende
E me deixa assim...
Não escrevi, mas menti
Nas palavras que não te disse
Nas que nunca te direi
E os sentimentos que não sei
Aqui escrever assim
Na mentira da palavra
Que tantas vezes me disseste
E que ontem eu nunca ouvi.
Sempre escreveste ontem?